Thiago Reisdorfer



FAKE NEWS EM SALA DE AULA: O ENSINO DE HISTÓRIA E INFORMAÇÃO NO TEMPO PRESENTE


A Terra é plana. Vacinas são responsáveis pelo aumento nos casos de autismo. Médicos cubanos são militares infiltrados. Esses são alguns exemplos das chamadas “Fake News”, grosso modo “notícias falsas”, que se propagam no cotidiano da Internet entre os mais diferentes grupos sociais, interesses políticos, graus de instrução, etc. As eleições de 2016 nos EUA, com a vitória de Donald Trump, consagraram essa temática como questão a ser debatida, social e academicamente, bem como, arma a ser operacionalizada no jogo político. O termo atravessou a barreira da internet e ganha terreno nos usos políticos acusatórios, mas também, na cultura popular cotidiana.

Este texto parte da premissa de que o ensino de História pode ser ferramenta poderosa no esforço necessário para instrumentalizar a sociedade com mecanismos de identificação e combate às Fake News. Ao abordar a construção do conhecimento a partir da pesquisa e da contraposição de informações, do reforço da habilidade de interpretação e problematização, podemos constituir uma compreensão mais apurada do processo de criação e divulgação de informações, seus interesses econômicos, ideológicos e culturais. Com esses objetivos em mente, buscaremos relatar e problematizar uma atividade realizada em sala de aula com estudantes da disciplina de História do Brasil II, do 3º ano do curso de História da Unespar - Campo Mourão no ano de 2017.

Tendo em vista nossa proposta, organizamos nosso texto da seguinte forma: primeiro uma breve contextualização e conceituação do fenômeno das “Fake News”; em seguida uma breve apresentação descritiva da atividade proposta; por fim problematizaremos as possibilidades que essa atividade pode ter no âmbito da formação de professores e cidadãos capazes de pensarem a informação enquanto algo produzido em contextos social e politicamente marcados.
       
Fake News: novidades e permanências.

O início do século XXI tem presenciado um aprofundado e veloz desenvolvimento das chamadas redes sociais. Grandes redes como o Facebook contam com cerca de 2 bilhões de usuários ao redor do mundo. Constantemente o Brasil tem sido colocado como um dos países campeões de usuários. Esses espaços, organizados através de algoritmos criados a partir dos interesses das corporações proprietárias dessas redes sociais, tem se transformado em centro de informações para um número cada vez maior de pessoas. Assim, tem sido terreno fértil para a criação e propagação de notícias falsas.

As Fake News, ou notícias falsas, possuem características específicas que as diferenciam de conceitos tradicionais como a mentira, calúnia ou notícia “tendenciosa”. Apesar da propagação de informações falsas, ou de omissões de notícias por diferentes motivos, não serem uma novidade na História brasileira, o fenômeno atual possui características diferenciadoras. A primeira delas é sua definição. As Fake News, apesar de poderem ser traduzidas como “notícias falsas”, não são apenas isso. Raramente são pura invenção ou criação de informações sem respaldo. Em geral partem de concepções, crenças ou mitos presentes na sociedade, ou em parcelas que se deseja atingir, para a construção de sua narrativa. Por exemplo, a suposta relação entre um lote vencido de vacinas contra a rubéola que seria a causa do surto de microcefalia ocorrido no Brasil em 2015. O boato amplamente compartilhado por WhatsApp, Facebook, Twitter, e blogs em geral não apresentava nenhuma evidência de sua veracidade. O site e-Farsas, um dos mais importantes espaços de combate às Fake News no Brasil, rastreou e desconstruiu a questão:

“As acusações foram espalhadas pelas redes sociais sem que nenhuma prova fosse apresentada! Como já mostramos diversas vezes aqui no E-farsas, uma das características de um boato digital é justamente a de fazer afirmações absurdas sem que haja a necessidade de se provar nada. Além disso, o boato se apoia em um assunto que está em evidência no momento para atrair mais cliques e conquistar mais compartilhamentos. Em algumas versões, o lote de vacinas vencidas teria sido usado em grávidas de Pernambuco. Já em outras versões, o fato teria ocorrido em Sergipe e/ou “em algum lugar do nordeste”! Bem vago, né?” (Grifos do Autor). (E-FARSAS, 10 de dezembro 2015)

A informação que estava sendo propagada não apresentava evidências de sua veracidade. Entretanto, dialogava com questões presentes na cultura popular brasileira. É de amplo conhecimento de estudantes de História o fenômeno amplamente discutido por José Murilo de Carvalho da Revolta da Vacina, onde uma campanha de vacinação enfrentou resistências baseadas em elementos da cultura popular e na insatisfação com a intromissão do estado na esfera privada dessa população. O medo e o desconhecimento sobre a vacinação se manifestaram naquele contexto, e se reproduziram ao longo do século XX. Assim, a propagação de boatos que tomam a vacinação como objeto, encontra terreno fértil para a sua propagação, especialmente em um país onde a escolaridade é baixa e, quando existente, geralmente precária. Dessa forma, a Fake News, mesmo não apresentando características básicas de verificabilidade pode se propagar amplamente sem possibilidades de contraposição.

Outro exemplo importante no campo da educação e que tem afetado a disciplina de História, é a discussão em torno da chamada “ideologia de gênero”. Propagou-se pelas redes sociais e pela sociedade em geral a ideia de que professores desejam implantar o que denominam de “ideologia de gênero” e dessa forma causar diferentes “males”: destruir a família, converter as crianças para a homossexualidade, abrir as portas para a pedofilia, incentivar o aborto, etc. Movimentos como o “Escola sem Partido” tem sido pródigos na proliferação desse tipo de Fake News. Esse tipo de informação não encontra respaldo algum nas teorias e estudos sobre gênero, mas dialogam densamente com a cultura patriarcal, machista e homofóbica constitutivas da experiência histórica brasileira.

Tendo em vista esses breves insights em um universo amplo e denso de Fake News, fica a questão: O que nós, professores de História (ou de outras áreas) podemos fazer perante a avalanche que são as redes sociais e as falsas informações? Essa pergunta é complexa e, certamente, não daremos conta de responder aqui. O que propomos é pensar uma possibilidade de formação dos estudantes para que sejam capazes de, por si mesmos, identificar, desconstruir e combater esse tipo contemporâneo de boataria. Para tanto propomos uma atividade de fácil e acessível realização em sala de aula.

O grito do Ipiranga: Entre curiosidades e memória oficial.

A atividade que propomos tem por objeto a análise do processo de independência brasileiro. Assim, pode ser aplicada tanto no ensino fundamental, quanto no ensino médio. Como preparação docente, este deve estudar o texto ‘Memória Da Independência: Marcos e Representações Simbólicas’, de Maria de Lourdes Viana Lyra. O mesmo se encontra online, com fácil acesso aos professores. Indica-se também, apesar de não ser mandatório, a visualização do programa ‘Caminhos da Reportagem: Caminhos da Independência – O grito nas ruas’ disponível na integra no Youtube. Como preparação para os estudantes, deve-se apresentar, em diálogo com o material didático cotidiano, o processo de independência brasileiro. Após essa discussão, pode-se iniciar a atividade.

Em termos práticos a atividade consiste na exibição e no debate de um vídeo de 2015 do canal O Curioso, hospedado no Youtube. O vídeo foi disponibilizado no dia 7 de setembro de 2015 com o chamativo título ‘10 COISAS QUE VOCÊ NÃO SABE SOBRE A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL’. Ali são apresentadas 10 informações que, teoricamente, seriam desconhecidas de boa parte das pessoas:

1.   A ida de D. Pedro de Santos a São Paulo teria sido realizada no lombo de uma mula e não a cavalo como a memória oficial consagrou.
2.   D. Pedro, teria sido traído por sua amante a Marquesa de Santos.
3.   Um dia antes do 7 de setembro D. Pedro teria sido rejeitado por uma “mulata” em Santos, que teria dado um tapa no rosto do então príncipe, após ele ter dado um beijo na bochecha dela. Após isso, ele teria tentado comprar a “mulata”, o que teria sido negado pelo seu dono.
4.   Nos dias que precedem o 7 de setembro, D. Pedro teria se alimentado com uma variedade de alimentos e bebidas em Santos. Para “tirar o gosto” dessa alimentação, ele teria bebido “muito vinho”.
5.   Como consequência, D. Pedro teria tido diarreia durante a viagem. Essa condição teria sido a causa da parada as margens do Rio Ipiranga. A tensão causada pela sua indisposição, juntamente como o recebimento de cartas de Maria Leopoldina teriam levado D. Pedro a proclamar a independência do Brasil.
6.   O grito teria sido pura formalidade. O lema “independência ou morte” teria surgido depois. Mas a garantia da independência teria ocorrido apenas após “os brasileiros pegarem em armas”.
7.   O grande organizador da estrutura estatal brasileira no período da independência seria José Bonifácio.
8.   A maçonaria teria um papel importantíssimo nesse processo, sendo “pilar fundamental” da Independência.
9.   Exigência por parte de Portugal de indenização de 2 milhões de libras pelo reconhecimento da independência. Essa seria a origem da dívida externa brasileira.
10.              Angola “quase teria” se tornado parte do território brasileiro.

A partir da exibição do vídeo e da enumeração das “curiosidades” elencadas pelo mesmo inicia-se um processo de análise histórica do vídeo. Essa análise pode ser feita coletivamente, pela turma toda, ou pode-se propor uma pesquisa específica, dividindo a turma em grupos responsáveis pelo levantamento de informações a respeito de uma ou mais dessas curiosidades. O professor deve providenciar material historiográfico para que os estudantes possam fazer o levantamento dessas informações. Como elemento central os estudantes devem ser incitados a verificar as informações disponíveis no vídeo e no material disponibilizado para a pesquisa. Isso pode ser feito tanto pela contraposição entre diferentes documentos históricos, quanto pela elaboração de um roteiro de questões ao material disponível. Algumas são centrais e comuns ao ofício do historiador e à crítica textual, outras podem ser elaboradas a partir dos interesses específicos do professor e da classe. Seguem algumas sugestões: Quem produziu o texto/vídeo? Quando foi produzido? Qual sua intenção com essa narrativa? Como o texto/vídeo possui as informações apresentadas? Qual documento de época registrou o evento da forma narrada? Se não há registros, como é possível afirmar tal coisa? Quais os motivos para a construção da narrativa sem se basear em fontes confiáveis?

A partir desses questionamentos os estudantes poderão, de forma acessível, perceber que as “curiosidades” 2, 3, 4, 5 e 6, não se sustentam após a verificação de textos da época. As “curiosidades” 1, 7, 8, 9 e 10 são elementos com vasta sustentação historiográfica e documental. A partir disso chegamos à parte argumentativa da atividade. Com essas informações e conclusões, o professor pode, de maneira dialógica, realizar uma discussão sobre como se faz importante a problematização constante a aprofundada das informações que nos chegam. Produtos de entretenimento, notícias jornalísticas, “links” compartilhados pelo Facebook, são produtos de interesses políticos, culturais, sociais que precisam ser pensados. Aceitar sumariamente informações sem sua leitura, sem sua checagem se constitui em um dano à dimensão cidadã da experiência dos sujeitos. Deste modo, o incentivo constante a essa problematização é elemento importante do processo de formação escolar do qual o ensino de História não deve se omitir.

Problematizando a independência e pensando Fake News.

O que podemos perceber nessas “curiosidades” é uma mistura entre eventos históricos reconhecidos e debatidos pela historiografia brasileira contemporânea (casos da importância da maçonaria, da relação Angola-Brasil, do papel de José Bonifácio), com situações pitorescas sem fundamentação numa bibliografia séria. Mas, como problema de fundo central, o vídeo, que tem funções de entretenimento e não de cunho historiográfico, assume a versão oficial do “Grito do Ipiranga” como versão verdadeira e, a partir disso, o pitoresco entra para dar um “colorido” nessa versão, tornando-a atrativa. Entretanto, como pode-se perceber a partir da leitura do texto de Maria Lyra, entre outros, o “Grito do Ipiranga” e o 7 de Setembro são tradições inventadas, no sentido atribuído por Hobsbawm (2014). O texto de Maria Lyra traz amplos e densos argumentos que sustentam que os eventos que a história oficial colocou como tendo ocorrido naquela data, não aconteceram. Através de vasta documentação de periódicos da época, mostra que esse evento, em que pese sua importância e centralidade para as disputas políticas da época, não foi noticiado pela imprensa brasileira. Mesmo jornais favoráveis a independência e à figura de D. Pedro não enunciam qualquer informação a respeito. Da mesma forma, o 7 de Setembro só é incorporado, oficialmente, às festividades da independência a partir de 1826:



Partindo dessa interpretação do processo, a atividade cumpre dupla função em sala de aula. Por um lado, permite a problematização da memória oficial sobre o processo de independência, colocando em cheque uma interpretação calcada na personalização das transformações na figura do Imperador. Dessa forma, temos ganhos importantes no âmbito da aprendizagem histórica, ao problematizar e ressignificar a independência, não como um evento movido por voluntarismos pessoais, mas sim, enquanto processo complexo que tem diferentes momentos e interpretações. Por outro lado, ao permitir a construção por parte dos estudantes da compreensão de que as informações apresentadas no vídeo e, mais adiante, na memória oficial, são construções e, em alguns casos, grosseiras falsificações, possibilita o aprofundamento da capacidade destes estudantes de interpretarem o mundo a sua volta de maneira mais complexificada.

O que intentamos fazer foi a criação de uma proposta simples de atividade e análise. Certamente a mesma precisa ainda de lapidação e melhorias. Foi construída em espírito de colaboração e troca de ideias entre professor e estudantes. Como tal, ampliamos aqui o convite para que essa e outras atividades possam ser pensadas, lapidadas e realizadas em nossas escolas. O ensino de História não pode perder seu caráter problematizador, formador de uma experiência cidadão que ultrapasse o mero utilitarismo que atravessa e predomina socialmente. Emancipação e empoderamento do indivíduo e da sociedade, como metas e estratégias, devem permear a prática docente em História e nas demais áreas do conhecimento.

Referencias:
Thiago Reisdorfer é professor substituto do curso de História da Universidade Estadual do Paraná – Campo Mourão. Doutorando em História do PPGH da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.

E-Farsas. Vacina contra a rubéola foi a causa da microcefalia? Disponível em: http://www.e-farsas.com/vacina-contra-a-rubeola-foi-a-causa-da-microcefalia.html, 2015.  

HOSBAWN, Eric e RANGER, Terence. A Invenção das Tradições. – Tradução de Celina Cavalcante – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014.

LYRA, Maria de Lourdes. Memória da Independência: marcos e representações simbólicas”. Revista Brasileira de História. São Paulo, ANPUH/Editora Contexto, vol. 15, nº 29, 1995, p. 173-206.
       
O Curioso. 10 coisas que você não sabe sobre a Independência. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=VPuh__5tmts&t=589s, 2015.

O Grito das Ruas. Independência do Brasil – 7 de Setembro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=37XH5UEpjlI&t=24s, 2012.




27 comentários:

  1. Prezado Thiago. Seu texto e sua proposta são de grande valia não apenas em tempos de "fake news", mas de polarizações diversas. A atividade proposta tem o grande mérito de evidenciar que um mesmo documento ou emissor pode apresentar informações verídicas bem como informações falsas, atentando contra o senso comum em formação segundo o qual determinados emissores produzem única e exclusivamente informações falsas (algo que inclusive o próprio pesquisador se defronta com certa frequência).

    Uma vez que o tema está em alta e é pivô de conflitos e debates sobre as certezas individuais, gostaria de saber:

    [1] como os alunos receberam esta atividade e
    [2] se houve entre eles alguma postura de valorização da dúvida (uma vez que a certeza de hoje pode ser colocada em cheque com novas fontes, evidências e metodologias).

    Mariana Dias Antonio

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    1. Bom dia Mariana Dias.
      Primeiramente gostaria de agradecer pelas colocações e interessantes questionamentos. Como você coloca, temos nos deparado com um processo de constituição de certezas individualizadas que se exprimem de diferentes formas no contato social. Um dos desdobramentos dessa questão é, justamente, o tensionamento que ocorre quando um conjunto divergente de verdades é colocado, por diferentes motivos, em confronto. Nesse sentido, a sala de aula tem sido um dos pontos em que este embate tem ocorrido e reverberado com violência.
      No caso específico da atividade proposta, tínhamos como objetivo a problematização dessa certezas que, muitas vezes, são baseadas nas chamadas Fake News. E, nesse sentido, a atividade foi bastante produtiva. Tanto no âmbito de pensarmos novas possibilidades de trabalho em sala de aula, quanto na tentativa de pensarmos formas de atuar para além dos muros das universidades desconstruindo certezas sem, por isso, abandonar posicionamentos políticos.
      A acolhida da atividade foi bastante positiva. Após a explanação da temática, a abertura para o debate contou com diversas intervenções dos discentes buscando tanto entender o processo ao qual o vídeo se referia, quanto a questões sobre a motivação da produção desse tipo de intervenção pública baseada em boatos e informações falsas.
      Agora, em relação a sua segunda questão, a valorização da dúvida, do questionamento, me parece algo em que a universidade e a publicização do debate histórico precisa avançar. Ainda nos acostumamos e demandamos respostas prontas e práticas, capazes de ser facilmente absorvidas e rapidamente produzidas. Isso implica simplificações de problemas complexos que podem e trazem consequências difíceis. Agora, há um outro extremos, a dúvida generalizada pode também nos excluir do debate público. Afinal, problemas precisam de respostas, mesmo que sejam temporárias, parciais, limitadas. A recusa de fornecer respostas pode levar a exclusão do historiador e da academia do debate. Como nos equilibrarmos nessa situação é um desafio.

      Thiago Reisdorfer

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  2. Boa tarde Thiago,

    Sua proposição didática é bastante interessante e contemporânea, nos mostrando alguns possíveis caminhos para a desconstrução dessas práticas instrumentalizando professores, estudantes e cidadãos para além do espaço escolar a refletirem melhor antes da mera reprodução de informações. Parabéns!

    Maicon Roberto Poli de Aguiar

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    1. Obrigado pelo comentário.
      Esse é um desafio constante. Espero que essa proposição possa ter contribuído nesse esforço de produção de novas possibilidades que engajem o conhecimento consolidado e as novas demandas sociais.
      Thiago Reisdorfer

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  3. Boa tarde Thiago, sua reflexão e proposição são bastante pertinentes. E abre, metodologicamente, um leque de possibilidades a serem acrescidas. Eu acredito que o cinema tem pretensão de ser uma versão da História,construindo interpretações e narrativas. Daí gostaria saber, se você trabalha com o cinema em sala de aula e se já pensou num diálogo do trabalho com o cinema e essa metodologia que sugere? Uma outra questão, é como você analisa os programas que tem sido exibidos atualmente,que fazem revisão de fatos históricos, a citar "O Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", veiculado pelo History Channel. Nice Rejane da Silva Oliveira (Imperatriz - MA)

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  4. Parabéns pela sua contribuição. Li com muito interesse seu texto porque estou ministrando a disciplina História do Pensamento Político e Social do Brasil, do curso de Licenciatura em História da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)e essa disciplina abre inúmeras possibilidades para o trabalho com as variadas fontes. Estou ainda tateando nas buscas por despertar maior interesse dos alunos trazendo o uso da internet, sites de busca e matérias divulgadas nas redes sociais. Mas com muitas incertezas do como planejar e realizar as aulas com esses recursos e os imprevistos. E tenho me desafiado desde o período passado, primeira vez que ministrei a disciplina, a experimentar despertar o interesse dos alunos pelo estudo dos clássicos das interpretações do Brasil a partir de problematizações de características e permanências da cultura política no Brasil. E os fake news parecem-se também como material muito interessante de ser problematizado e questionado. Sua experiência me deu algumas ideias. Obrigada e Parabéns!
    Rosilene Dias Montenegro.

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  5. Boa noite!
    Artigo e proposta muito interessante de trabalho em aula dialogando com assuntos de extrema importância na atualidade.
    Dito isso:
    1- Quantas aulas (hora/aula) foi necessárias para terminar toda a oficina?
    2- Reação dos alunos envolvidos na atividade?
    3- Acho que faltou uma explanação sobre bigdata, fazenda de likes, vendas de curtidas, etc, que enchem estas redes sociais. Na sua explicação, você toca nestes assuntos? (Sei que o formato dos artigos aqui expostos não possibilita um maior aprofundamento do tema).
    Arnaldo Henrique de Sampaio Santos

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    1. Bom dia Arnaldo.
      Primeiramente obrigado pelas perguntas.
      Com relação a atividade, ela partiu de uma discussão prévia sobre o processo de independência. Por ser uma disciplina universitária de H. do Brasil, havia tomado uma série de aulas. Mas a atividade em si, toma, em geral, de 2 a 4 aulas a depender da profundidade do debate proposto.
      A reação dos estudantes foi muito positiva, com diversas intervenções e posicionamentos. O resultado, nesse sentido foi positivo.
      As necessidades/possibilidades que colocaste na terceira questão são elementos que pretendo aprofundar e qualificar numa versão expandida, e futura, do texto. Afinal são centrais para compreender o funcionamento mais qualitativo desses instrumentos digitais.
      Obrigado.
      Thiago Reisdorfer.

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  6. Thiago, parabéns. Gostei muito do texto e achei muito pertinente para o momento atual.
    Minha dúvida é sobre outras formas de trabalhar com a verificação de informações, como sites de fact checking ou canais de divulgação (vlogs científicos). Você já trabalhou com essas ferramentas em aula? Como foram seus resultados?
    Abraço e bom debate.

    Israel da Silva Aquino

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    1. Bom dia Israel.
      Primeiramente obrigado pela suas questões. Para essa atividade trabalhei com o E-Farsas e com um "fact cheking" realizado por mim a partir de textos diversos. Essa é uma possibilidade interessante. A atividade tinha, como um dos objetivos, o incentivo à vontade de produzir individualmente esse desejo de verificação. Mas, claro, precisa ainda de avanços e trabalho massivo para que essas questões possam ser ampliadas e ainda mais produtivas.
      Thiago Reisdorfer

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  7. Achei seu texto fruto de uma ótima iniciativa. Acredito que o ensino da história tem mesmo que fazer o aluno pensar nas questões atuais. Como estudante de audiovisual tenho certeza de que cada vez mais as mídias precisam ser problematizadas e problematizantes naquilo que elas têm de intrínseco: revelar o que é nossa sociedade contemporânea é, sem deixar de produzir conteúdos éticos. Assim como outras produções midiáticas, as "fake news" podem ser encaradas como narrativas dos dias atuais? O que você pensa sobre isso?

    Rinelton Giordanio Fernandes

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  8. Parabéns pelo artigo e proposta.
    Experiências como essas são muito bem vindas, principalmente ao levarnos em conta o estado de fragilidade de nossa democracia.
    Gostaria de saber como os alunos lidaram com a questão da "ideologia de gênero", onde muitos podem ter já preconceitos e opiniões formadas.

    Lucas Mascarenhas Levitan

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    1. Bom dia. Obrigado pelo comentário.
      A "ideologia de gênero" foi abordada tangencialmente durante a atividade como exemplo de uma das mais resistentes narrativas que se enquadram e se utilizam das fake news. Mas ela não foi abordada com mais profundidade. Em outros momentos de minha experiência docente tenho trabalhado com isso. Quando pensada como discussão num diálogo aberto tem sido possível acessar mesmo os mais renitentes quanto à questão. Certamente seria interessante propor uma atividade como a que descrevi, tendo como fonte vídeos, textos e etc. de opositores dos debates de gênero, visando desconstruir suas falsificações.
      Thiago Reisdorfer

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  9. AChei muito interessante o texto. parabéns.

    Participante: Edivaldo Rafael de Souza.

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    1. Olá Edivaldo. Agradeço seu comentário. Esse tipo de atividade precisa ser investigado, ampliado e divulgado. Espero que o texto possa contribuir nesse sentido.
      Thiago Reisdorfer.

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Parabéns pela iniciativa. É exatamente esse o papel da História de problematizar, de fazer as pessoas pensarem, saírem desse comodismo que nos assola. Certamente essa é uma proposta que precisa de ajustes até mesmo quando a realidade aplicada e o espaço curto de tempo destinado às aulas de história. Deixo a minha consideração de que seja possível realizar parceiras com docentes de outras disciplinas, como Português, levando em consideração que saber o interpretar também tem um grande peso na disseminação dessas fake News.

    Maria Geanne Matias Gonçalves

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    1. Bom dia Maria.
      Suas considerações a respeito da interdisciplinaridade é interessantissima. Abordar essa problemática contemporânea apenas a partir da História é inviável. Faz-se urgente a articulação com outros campos do conhecimento, outras disciplinas escolares e, mesmo, outros espaços sociais.
      Thiago Reisdorfer

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  12. Olá, Thiago! Parabéns pelo trabalho em sala de aula e pelo texto produzido! Muitos já nutriram e muitos ainda nutrem, ao menos é o que me parece, um grande otimismo em relação a um suposto poder de subversão da internet. Acreditam que, na internet, há liberdade para a escolha dos conteúdos, o que a diferenciaria da televisão. Por isso, as pessoas estariam livrando-se do jugo do poder das grandes emissoras de tevê. Considero muito interessante e importante o debate sobre as fake news, porque mostra que o papel político e cultural muitas vezes negativo que era desempenhado pela tevê, tem sido exercido, sob uma nova roupagem, pela internet. Por isso, parece-me tão importante essa educação para uma abordagem crítica dos conteúdos que circulam na web. Estamos preparando nossos alunos para um melhor uso dessa ferramenta tão poderosa de informação. O que você pode comentar sobre isto? Obrigado! Wesley Ribeiro Ferreira dos Santos

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  13. Compreendendo a sala de aula como um espaço privilegiado onde a reflexão é favorecida, as “Fake News” desafiam o fazer docente a pensar estratégias para desconstruí-las, sobretudo com o consumo intenso de informações sem criticidade.

    Natanael de Jesus Santos

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    1. Olá Natanael. Obrigado pelo comentário.
      Realmente esse é um desafio que tem se articulado na sociedade e precisa ser encarado na sala de aula. Espero que a proposta do texto possa inspirar atividades nesse sentido.

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  14. Olá, Professor Thiago!
    Como o professor de Ensino Médio pode instigar a curiosidade do aluno, o fazer questionar e identificar fake news em um sistema onde o ensino de História é tão metódico e factualista?
    Obrigada.
    Débora Schmidt

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    1. Olá, Débora.
      O constante acesso de nosso alunos a materiais disponibilizados na internet que abordam direta, ou tangencialmente, questões relacionadas a História podem aguçar a curiosidade dos alunos em relação a estes temas. É importante que o professor consiga dialogar com os questões que os alunos trazem, a partir desse acesso, para a sala de aula. Comparar e problematizar as versões dos livros didáticos, mais tradicionais, as versões que os alunos acessam on line e reflexões mais problematizadoras e acuradas academicamente, trazidas pelo professor, podem ajudar a construir com os alunos a compreensão de como a História é produzida e utilizada socialmente.
      Thiago Reisdorfer

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  15. Bom dia Thiago, ótimo texto e parabéns pela iniciativa em despertar nos alunos a prática de averiguar informações antes de considera-las verdade absoluta. A velocidade e facilidade de informação que a internet proporciona e sua abrangência atual, onde a maioria da população do país possui acesso a rede, tornou a internet um terreno fértil para a divulgação de ideologias pautadas e legitimadas por meio de noticias falsas. O professor pode e deve ter um papel norteador junto aos seus alunos para despertar o hábito da verificação da veracidade destas informações disponibilizadas por meio da internet. Atualmente existe a possibilidade de acesso e condições de compartilhamento de uma infinidade de informações sem haver a responsabilidade daqueles que a compartilham, em verificar a autenticidade destas informações, por isso, iniciativas como a sua deveriam ser adotadas durante o processo de ensino aprendizagem em sala de aula. Apesar das dificuldades impostas ao professor e as escolas públicas, acredito que seria possível oferecer uma educação que administre esta quantidade enorme de informações a qual os alunos estão expostos. O livro didático é o principal, se não, o único recurso pedagógico utilizado nas escolas públicas do país, tornando os alunos dependentes apenas de uma única fonte de informação. Seria esta dependência para com os livros didáticos a causa da falta do hábito na nossa sociedade em averiguar as veracidades das informações compartilhadas na internet, e mais especificamente, seria esta dependência a culpada pela falta de senso crítico na análise e seleção das notícias disponibilizadas nas redes sociais por parte da grande maioria dos estudantes do país?

    Att Sídnei Alves Delleprane

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  16. Boa noite Thiago,

    Com relação a tematica escolhida foi uma excelente escolha, bem pertinente e atual. Gostaria de saber se você enfrentou em sua pesquisa a situação de que o estudante ou sua família estivesse totalmente convencido pelas "fake news" e como conseguiu ou se conseguiu convencer que as notícias eram falsas? Houveram outras ferramentas fora as que você colocou? Quais? Houve intolerância por parte do estudante ou da família desse estudante?

    PAULO ROBERTO PICKLER

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